sábado, 1 de novembro de 2008

Dicas singelas

Depois de assistir ao filme “Escritores da Liberdade” e de reler os livros “Preconceito Lingüístico” do Marcos Bagno (2000) e “A cor da Língua” de Sírio Possenti (2002) confirmei através destes grandes “nomes” da Lingüística algumas convicções com relação ao aprendizado da língua portuguesa. O filme serviu para refletir que a prática pedagógica só é válida se tem sentido para quem aprende. Todavia, tanto as leituras como o audiovisual enfatizam a importância do ato de leitura.
O audiovisual demonstra de forma surpreendente o que uma professora faz para conseguir o interesse e o resgate do “sentido” do ato de aprender para alunos “especiais”. Especiais porque já não viam sentido na instituição “Escola” visto contexto de violência e exclusão em que se encontravam.
É excepcional também porque mostra que para tal “façanha” a profissional da Educação teve que se submeter a outros “dois” empregos para dar conta do principal: comprar livros para seus próprios alunos. Sim. O ato “mágico” que a professora fez foi simplesmente esse: incentivar a leitura de livros que fizesse sentido para o contexto deles. O primeiro foi “Diário de Anne Frank”. Incentivou eles escreverem seus próprios diários.
Deste modo, conseguiu entender o contexto dos alunos e no final os próprios viraram escritores publicando em conjunto o livro “Escritores da Liberdade”. Muitos romperam o ciclo de violência e exclusão a partir do interesse à leitura e ao ato da escrita .
Bagno “desvenda” os preconceitos lingüísticos que envolvem o país e que faz com que certas pessoas autodeclarem suficientemente “esclarecidas” para “julgar” o que é certo ou errado no ato de “fala” dos falantes da Língua Portuguesa. Infeliz ato uma vez que a língua falada e escrita tem facetas que devem levar em conta o contexto social, local, econômico dos falantes. Mais leitura para “esta gente” e menos “preconceito”. Isso sim!
Possenti defende a importância da leitura (muita, variada, contextualizada) dos professores para seus alunos e dos próprios alunos para si mesmos. Seria mais fácil o aprendizado, inclusive, de outras áreas. A autonomia lingüística ficaria evidente uma vez que quem lê bastante também tem maior segurança para se expressar utilizando a linguagem. Defende também a valorização dos professores. Certamente haveria uma “revolução” na Educação.
Um sonho quase utópico pensar que o ideal mesmo é que vivêssemos uma realidade em que nenhum professor precisasse ter dois ou três empregos para viver dignamente. Que pudessem comprar livros suficientes para incentivar os próprios alunos lerem. Ideal principal de uma educação emancipatória. Precisamos desta realidade. Vejam o filme. Leiam tais livros. Recomendo. Dicas singelas.

Andressa da Costa Farias

2 comentários:

Marcelo De Franceschi disse...

os pais tambem podiam incentivar os filhos. devem, pois são os poucos que podem influenciar seus filhos para melhor. é obrigação deles saber e exercer essa condição, senão a coisa desanda.

Lupbeck disse...

Com certeza, não são "Dicas singelas", mas grandes conselhos, exemplos a serem postos em prática, pois somos seres humanos e não animais?

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