quinta-feira, 14 de junho de 2018

É possível ver o trem no horizonte?

Eu ainda hoje lembro do barulho do trem. Morava bem próximo dos trilhos que passavam os trens da Viação Ferroviária de Sta Maria/RS. Sempre sabíamos os horários. Eles nunca atrasavam o percurso. Alguns amigos da escola tinham pais ou parentes que trabalhavam na ferrovia e vislumbravam com orgulho isso. A ferrovia foi desativada. Acho que na década de 1990. Creio que a indústria automobilística e rodoviária pressionou o fato. E agora todos dependemos das rodovias, das rodas, da gasolina, do diesel, do transporte terrestre para o grande fluxo de bens e serviços. E daí o caos está instalado. A greve protagonizada pelos caminhoneiros foi um exemplo disso. Não fui contra as reivindicações desta categoria de trabalhadores. Muito pelo contrário. Acho justa toda forma de manifestação que clame por melhores condições de trabalho. Gostaria que o preço dos combustíveis estivessem mais baixos também. Haveria melhores condições de compra de vários produtos. Mas, o fato foi que caminhão parado tem o poder de parar todo o país. A ponto de quase instaurar o caos total com a perspectiva de faltar alimentos e remédios. Quase aconteceu isso. Certamente ia “descambar” para a violência e atrocidades maiores caso a greve não fosse finalizada “a tempo”. Alguns lugares foram palco de cenas lastimáveis como “orações em postos de gasolina” e pontapés e socos pelo “galão de combustível”. Tudo foi cancelado: aulas, serviços, cirurgias, compromissos, comércio, indústria. Tudo! A única coisa positiva deste movimento foi o alerta de que precisamos pensar meios alternativos de transporte e de locomoção. Ativar as ferrovias, pensar com responsabilidade nas cidades, por exemplo. Tudo ficaria mais fácil, mais econômico, mais sustentável, mais viável. Não é fácil que isso seja possível. Os interesses econômicos de alguns poucos grupos que comandam o país (e talvez o mundo!) estão por trás de toda e qualquer decisão. E sempre que seja melhor e mais lucrativa para eles e não para a grande parte da população. E isso é deplorável. O maior mal do brasileiro é esta cultura do “jeitinho”, da falta de “ética”, da vontade de “levar vantagem” em tudo, da política “suja” que beneficia somente os grandes sejam empresários ou políticos. A esperança de dias melhores, no entanto, vai surgindo no horizonte. Quem sabe um dia a ética e a justiça social sejam realidades no país. E assim, a gente volte a conseguir ouvir o barulho do trem. Um país continental não pode depender de rodas e estradas para tudo. Seria lastimável. Seria fomentar uma burrice do tamanho do BRASIL. Quem sabe seja possível, num futuro não muito distante, ver o trem no horizonte. Quem sabe... ************************************************* Andressa da Costa Farias ********************************************* Texto publicado como artigo no Jornal Diário de Santa Maria, em Santa Maria-RS, no dia 13 de junho de 2018.

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