domingo, 19 de junho de 2016

Sobre pedidos e promessas

Ele pediu de forma tão encantadora que diante de "n" atividades acadêmicas, profissionais, pessoais e sociais tirei um tempinho para escrever. Estar aqui. Fazer o blog ser atualizado. Isso me fez refletir aquele trecho do magnífico livro e eternamente clássico "Pequeno Príncipe" de que somos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos. E em respeito a ele, escrevo. Fazia tempo que não escrevia no blog. Escrever requer tempo, criatividade e imaginação. Ultimamente o cansaço e as tarefas cotidianas tiraram de mim estes requisitos essenciais. Mas, prometi. E promessa deve ser cumprida. É sobre isso basicamente que quero dedicar tais linhas. Ele é um adolescente, ainda em fase de crescimento, de amadurecimento, de formação de caráter. Quero fazer também um pedido para este moço querido e que me escuta quase toda semana a partir das aulas das quais é meu aluno: que ele JAMAIS esqueça DE CUMPRIR algo que prometer. Custe o que custar. Deve dar um retorno. Uma resposta. Uma atitude. Um gesto. Algo em troca daquilo que se propôs a fazer. E se não tiver a intenção de cumprir, que jamais prometa. É extremamente frustante para o outro confiar na promessa, confiar no pedido feito e receber um NADA em troca. Nenhuma satisfação. É horrível. Fica aquele vazio. Uma frustação. A admiração diminui. E o encantamento também. O outro já não é tão especial quanto considerávamos antes. É muito ruim descobrir que em algumas pessoas não dá para confiar plenamente. Dói. A gente supõe sempre que aquilo que fazemos, o outro DEVE fazer também. E nem todo mundo é assim. Nem todo mundo dá a importância para pedidos feitos e não cumpridos. Talvez o mundo. Talvez a vida. Talvez tudo fosse diferente se tivéssemos pessoas extremamente responsáveis e que cumprissem tudo que prometessem. Mas, isso é ilusão. Não acontece. A gente vai aprendendo quando a vida vai passando que há diversos fatores envolvidos em uma promessa: grau de cumplicidade, amizade, caráter, envolvimento pessoal ou profissional, entre outro, inclusive fé. Inúmeras foram as situações que pedi, prometeram e não cumpriram. Seja do mais banal pedido ao mais específico ou complexo. Uma tarefa cotidiana. Um pequeno favor. O pedido para não atrasar numa determinada hora. Para calar enquanto falava. Para não esquecer de inserir algo na bolsa. Para uma carona que era "certa" até o motorista "esquecer" o combinado. Para levar o lixo para fora. Para cuidar de determinada coisa. Para confirmar para festa a fim de incluir todos os convidados de forma correta. Para confirmar uma visita. Enfim, pedi. Prometeram. Não cumpriram. Enfim, foram muitos "furos" nesta vida. Muitas frustações. E delas fui aprendendo que o ser humano é falho. E que só cumpre o que julga ser prioritário. E que às vezes não somos especiais para o outro como gostaríamos de ser. Fui aprendendo. Continuo neste processo eternamente.Mas, não mudo. Prefiro a ordem inversa. Prefiro me comprometer. Prefiro julgar todos como especiais. Prefiro que acreditem em mim e na minha palavra. Prefiro cumprir o que prometo. Estar presente. Ser presente. E torço, sinceramente, que você querido jovem faça o mesmo. Prefira cumprir tudo o que se dispor fazer. Prefira sempre a admiração das pessoas. Recuse a frustação delas por você não ter cumprido algo, a menos, claro que tenha um bom motivo para isso. E é por você que dedico este tempo neste domingo frio em Florianópolis. É por você que escrevo agora. Prometi escrever. Atualizar o blog. Respeitar você e sua admiração pelo que escrevo. Espero que esta mensagem sirva também de alerta, alento e conselho para todos que chegaram até o final destas linha. Obrigada Arthur pelo teu pedido. Cumpri. Faça sempre o mesmo quanto te pedirem algo. ******************************************************* Andressa da Costa Farias ******************************************************
Igreja do Bonfim. Salvador-BA.(arquivo pessoal) Muitos pedidos feitos diariamente.

domingo, 1 de maio de 2016

Quando deixamos de ser somente filhas

Ninguém explica para gente o que acontece quando deixamos de ser somente filha. Ninguém diz que o tempo não será mais nosso e sim do outro. Daquele ser que decidimos gerar ou cuidar. Pode “nascer” da barriga ou do “coração”. Mas, que nasce primeiro em nós. Na decisão de sermos não mais somente filhos. Ninguém fala das noites em claro. E das preocupações. E da nova organização financeira a ser realizada. Ninguém comenta as angústias quando o outro cai, escorrega, machuca, chora. E das indecisões frente a remédio, médico, local de lazer, escola, etc. Nada! Por isso, vou contar um pouco como aconteceu comigo quando descobri que estava deixando de ser APENAS filha. Deixei de ser somente filha quando ouvi um coração a mais vindo de dentro do próprio corpo. Quando comecei a ver a barriga crescer sem parar. Deixei de ser somente filha quando senti chutes e movimentos incansáveis de dentro de mim mesma. E emocione-me infinitamente quando ouvi, enfim, o primeiro choro dela. Daquela bebezinha cabeluda que nasceu num dia de verão escaldante, em Santa Maria. E me desesperei na primeira “dor de barriga”. E como foram intermináveis os minutos de vacinas. Quantas vezes choramos junto? E o quanto foi difícil a amamentação. Doeu. Chorei achando que não ia conseguir alimentar meu amor maior. Quando consegui foi uma grande vitória ! E me senti a pessoa mais importante do mundo. Ao menos, para ela. E que felicidade o primeiro dia na Escola. E a angústia de deixar “sozinha” num novo ambiente que não a nossa própria casa. E de repente novos amigos e amiguinhas. E seguem-se aniversários vários. Muitas festinhas infantis. Muitas trocas com outros pais e mães. E novas "pessoinhas" surgindo vindas da nova rede de relações que nosso filho proporciona. E chega a fase difícil da adolescência. E eu achava que meus pais eram “caretas” e nem me dei conta que no final estava repetindo algumas caretices exatamente como eles. Agora me transformei em motorista das festinhas, da saída do cinema. A conselheira sem fim. A psicóloga de plantão. E de repete agrego novos conhecimentos. Aqueles das bandas que a filha curte. As gírias da modinha. Deixei de ser somente filha quando percebi que me tornei parte e responsável por alguém para sempre. Transformei-me em alguém muito especial. A partir de algo que permite os sentimentos mais sublimes. E que é difícil explicar. Basta sentir. Principalmente quando se é chamada de MÃE. Benditas aquelas que escolhem amar sem limites. E ter a sorte de encontrar seu filho ou filha, vindos da barriga ou não, para compartilhar amor, tempo e cuidado. Feliz dia das Mães ! **** Andressa da Costa Farias ******** Publicado como ARTIGO no jornal DIÁRIO DE SANTA MARIA (RS) no final de semana do dia 07 e 08 de maio de 2016. ******* Publicado no BLOG do Colégio Santa Catarina (Florianópolis) no link http://www.csc.g12.br/blog/162-quando-deixamos-de-ser-apenas-filha

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A vida na Literatura

Oficialmente minhas férias acabaram hoje. Percebi que a praia que mais visitei este ano foi o Campeche, no sul da ilha de SC. Talvez a praia mais literária que existe. Há fortes indícios que o o "poeta da aviação-Antoine de Saint-Exupéry" tenha aterrissado por lá por volta de 1930. E por isso a avenida principal do lugar dá nome ao título do livro mais famoso do autor: Pequeno Príncipe. Há dados de que a obra foi mundialmente traduzida e permanece entre as mais vendidas em vários países. É realmente é um livro encantador. Naquela época a aviação não tinha toda a tecnologia de ponta que existe hoje. E o aviador era antes de tudo um grande aventureiro. O autor viajou para os lugares mais remotos do planeta. E muitas vezes sozinho. Escreveu sobre tais aventuras. Muitas delas em ficar "empenhado" com o avião em pleno deserto e contar apenas com seu próprio conhecimento para consertar o pássaro mecânico e seguir viagem. Suponho que numa destas aventuras ele tenha imaginado um grande amigo que lhe deu forças para continuar voando. Relata ter ficado preso em pleno deserto e com água para apenas 08 dias. E foi nestes instantes desesperadores que apareceu o Pequeno Príncipe. Creio que através desta personagem o autor tenha condensado um pouco de tudo que vivenciou e aprendeu nas suas andanças pelo mundo. Vou citar as que julgo mais interessantes e as que sempre me emociono ao ler: "é mais difícil julgar a sim mesmo que julgar os outros." Assim, conseguir fazer um bom julgamento de si mesmo é ser verdadeiramente sábio. "Para os vaidosos os outros homens são seus admiradores. Vaidosos só ouvem elogios." "Muitas vezes mesmo entre muitos homens a gente também se sente só."Talvez o maior de todos ensinamentos tenha sido o que advém do verbo CATIVAR. Numa conversa travada entre o príncipe e a raposa ela lhe ensinou sobre tal verbo. O animal falou que só seria amiga dele se este a cativasse, ou seja, se ele criasse laço com ela. O pequeno ser compreendeu através do exemplo simples do bicho que cativar é tornar alguém especial. "Haverão mil raposas e mil meninos como tu", mas "se tu me cativas nós teremos a necessidade um do outro. Será para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo também." Neste momento o principezinho lembrou da rosa que havia deixado em seu planeta e sentiu que aquela planta perfumada e efêmera o tinha cativado. Ele se sentia responsável por ela. "Somos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos." E há também muita crítica sobre as relações humanas. A raposa conta que "homens compram tudo nas lojas, mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos." Porém, se um ser cativa outro haverá um ritual de amizade. E é por isso que ela ainda "se tu vens, por exemplo, às 16 h desde às 15 h começarei a ser feliz". Não consigo parar o texto aqui sem antes citar um outro ensinamento precioso advindo da obra: "só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos." É preciso descobrir se o aviador conseguiu consertar o avião e seguir viagem ou se acabou morrendo em pleno deserto divagando com a aparição do pequeno ser.Eu poderia continuar a escrever infinitamente os vários ensinamentos e passagens maravilhosas deste livro encantador, mas deixo para os próximos leitores. E de quebra declaro aqui minha paixão incondicional pela Literatura. ***** Publicado como ARTIGO no jornal Diário de Santa Maria (RS), no dia 19/02/2016. Andressa da Costa Farias.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O que fazer no novo ano

Todo reinício de ano vem carregado de novas perspectivas, novos planos e novas fases. É uma época de balanços. E de pensar o que podemos fazer para encaminharmos nossa vida da melhor forma possível. Em 2015 eu decidi ser mais solidária e isso fez e está fazendo toda diferença na minha vida. Dizem que o que a gente faz de bom não precisa ser publicizado. Eu discordo. Há tantas coisas ruins no mundo sendo anunciadas exaustivamente que acredito que fazer as outras pessoas saberem de coisas boas pode estimulá-las seguirem o exemplo. É como aquela frase do poeta do RJ “Gentileza, gera gentileza” eternizado na voz e na música de Marisa Monte. O meu maior feito em 2015 foi me fazer presente numa Casa Lar. É um abrigo para crianças e adolescentes que se encontram em situação de risco. A maioria infelizmente foi vítima de violência sexual. Atualmente o lugar está com 18 inocentes entre 2 a 18 anos. Meninos e meninas. Mais meninas. Todos os meses eu levei caixa de leite para eles. Mas, em outubro algo mudou. Foi o pedido de uma menina de 6 anos. Ela disse que gostaria que além de leite eu pudesse levar brinquedos. O argumento dela foi forte “Tia, é que aqui a gente só ganha brinquedo usado.” Aquele pedido ficou ecoando em minha memória. Utilizei da rede social para pedir que mais amigos se solidarizassem com a situação e deu certo. De repente um grupo no whatsapp foi criado com aproximadamente dez amigas solidárias. Conseguimos levar um brinquedo novo junto com um doce para cada criança. Foi uma festa! Uma alegria. Talvez muito mais para nós que para elas. Em dezembro, além do leite conseguimos levar roupas íntimas para cada criança junto com doce. Foi sugestão da mãe social já que isso também é um item necessário para cada uma e que dificilmente ganham. Nesta última visita do ano não saiu da minha cabeça o carinho. Os abraços. A alegria de ver o carro estacionando em frente ao local. As coisas e o leite levado talvez sejam insignificantes diante da certeza de que todo mês estarei lá fazendo uma visita. Mesmo que breve. Fiquei com a imagem da menina A. de três anos dando “tchauzinho” e dizendo “tu volta depois, né tia ?” Eu brinquei que voltava, mas só ano que vem. Ela quis chorar e outra menina consolou “Sua boba, ano que vem é daqui um pouco...”. Daí a menina sorriu. Eu volto. Voltarei. Muitas vezes. Queria carregá-las comigo e distribuí-las num mundo de amor, alegria, conforto e esperança. Esperança de dias melhores. Dias sem violência e abandono. É um sonho. Uma utopia. Mas como escreveu Mário Quintana “Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas!” Andressa da Costa Farias **** Publicado como artigo no jornal Diário de Santa Maria-RS, no dia 05/01/2016.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O fascinante e complexo ato de ler

A imagem do livro já "gasto" de tanto ser manuseado causou surpresa e alegria nela. Minha filha veio sorrindo e também quis "folhear" aquele livro. Estranho objeto que lhe causava naquele instante fascinação. Perguntou-me se era bom, já que parecia que tantos haviam lido. Respondi que sim. Pertencia a biblioteca universitária da UFSC e chegava a minha vez de lê-lo pela primeira vez. Para mim livro "velho", "usado", "gasto" de tantas mãos e olhos percorridos são os melhores. Talvez igual vinho. Quanto mais velho, melhor. "Degustar" um bom livro é fazer dele um objeto plenamente usado. Lido. Debatido. Este livro era especial. Não era qualquer livro. Seu estado de uso denunciava se tratar de um livro de uma área específica do conhecimento. A qual muitos tinham interesse. Eu, por-exemplo. Mas, a reação da Gisella foi a causa de minha contemplação e êxtase. Parei para pensar na importância da leitura e o quanto a família tem um papel primordial neste sentido. Ela jamais se encantaria pelo livro se não houvesse sido incentivada desde a tenra infância a gostar de ler. Lembro das primeiras histórias contadas. Da época da coleção do Gibi da Turma da Mônica, dos clássicos infantis de conto de fadas. Das reações de comoção e alegria com os feitos da "Bruxa Má", do "Príncipe" ou "Branca de Neve". E das inúmeras fábulas lidas. E de quanto hoje é autônoma para selecionar sua própria leitura paradidática e chega ser "crítica" da literatura juvenil indicando ou reprovando certos títulos e autores a outros amigos. O ato de pensar a respeito se justifica por saber que infelizmente vivo num país onde a leitura verbal escrita não é valorizada. Um país onde milhões de jovens e crianças não tem nem sequer a oportunidade de "folhear" um livro ou gibi qualquer dada a precaridade das bibliotecas públicas de muitas escolas. Onde outros tantos já foram classificados como "analfabetos funcionais". Vivo num país que há a necessidade mais urgente de várias famílias de adquirirem comida, roupas, transporte. E por isso, não reconhecem e nem legitimam um livro como um objeto de investimento pessoal e social que se traduz numa educação melhor. Requerer educação de qualidade é um desejo quase que utópico. E talvez seja isso uma condição pensada. Planejada. Orquestada. Para que demandos de todo tipo continuem acontecendo. E assim páginas de hipocrisia vão recheando a história deste país. Quero contrariar esta lógica e continuar incentivando a leitura e apresentando "encantamentos" vários a possíveis leitores ou novos leitores. O exemplo é o maior e melhor incentivo. O livro que motivou este texto intitula-se "Portos de Passagem" do autor João Wanderley Geraldi e pretende ser um ponto de passagem para o conhecimento da prática pedagógica, linguística e textual. Desejo assim que esta crônica seja um ponto de passagem para conscientizar cada um que dedicou alguns minutos para esta atividade tão nobre, fascinante e complexa: o ato de ler. Andressa da Costa Farias.