quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A Realidade bateu na porta

Estou matriculada na Disciplina de História Riograndense II, no curso de História na UFSM. Quando o professor falava da Guerra dos Farrapos, do ideário farroupilha, da questão da identidade do gaúcho um fato curioso e fora da “rotina” estudantil aconteceu. Recebemos a visita de sete jovens integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Tivemos o privilégio de ouví-los assim como relatos de identidade de um grupo coeso e com uma ideologia de cooperativismo. Algumas coisas chamaram atenção. Pouco antes da entrada deles, o professor contextualizada as diversas identidades existentes no Rio Grande do Sul: a do gaúcho tradicional (que representa os praticantes da cultura enquanto membros de um contexto de CTG´s, desfiles do 20 de setembro,chimarrão, espora, bombacha, cavalo, etc.) e as demais identidades que podem ser citadas: dos kilombolas, germânicas, italiana (imigrantes), entre outras.Todas podem ser analisadas pelo prisma do multiculturalismo. Esta parte da reflexão me remeteu a pensar sobre a questão da literatura riograndense. O imaginário do gaúcho como guerreiro, corajoso, valente, cavalo e chimarrão está presente em evidência em “Contos Gauchescos” de Simões Lopes Neto. Em contrapartida Cyro Martins em “Trilogia do Gaúcho a pé” já enfoca o gaúcho expulso do campo que vai ocupar e fundar as periferias das cidades. O gaúcho a pé, sem qualificação (pois o que sabia fazer era “lidar” com a terra porém sem mais possuir este bem). Outro autor que enfoca a miserabilidade de que enfrenta o gaúcho a se deparar com a realidade urbana é Dionélio Machado em “Os Ratos”. Eis ai alguns contextos de surgimento de movimentos como o do MST. Trago tais reflexões pois o que o grupo relatou para conosco são assuntos extremamente importantes: a denúncia do latifúndio que produz para exportação, a questão ambiental que se agrava pois avança o plantio de eucaliptos que degrada o solo e consome uma grande quantidade de água. A importância de ser realizada a Reforma Agrária de maneira planejada que possa contribuir para a produção de alimentos para o meio urbano local e para inúmeras famílias destituídas de terra. A apresentação de alguns resultados práticos deste movimento no RS: a venda do “Arroz ecológico” (sem veneno), Leite Terra Viva, possíveis pelo princípio do cooperativismo. Reconheci em cada rosto daqueles jovens a questão do “gaúcho” a pé. Fato confirmado pelo depoimento final de um dos integrantes que se reconheceu numa realidade urbana (certamente sem boas perspectivas) e que o desafio é voltar para campo. Outra fala que mereceu relevância foi de uma educadora “etinerante” ao relatar a questão do preconceito com relação ao Movimento. O pedido expressivo de que antes de julgar qualquer coisa, ato , pessoa ou grupo é preciso conhecer. Não aceitar idéias prontas. A realidade social bateu a porta das salas de aula da universidade. Quais grupos, quais identidades estamos privilegiando? Porque há tanta desigualdade social, concentração de renda? O estudo da História consegue responder. De que forma podemos analisar a importância de movimentos sociais como o "MST"? O passado respinga no presente.

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