quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Amizade Digital ?

Existe amizade digital? Aquela amizade corrente apenas enquanto no “ciberespaço”. Pode existir um tipo de troca de informações, sentimentos e confidências apenas neste “meio”? É possível evitar e não querer o encontro face-a-face? Sim, isso é possível e acontece muito mais do que se pode imaginar, o que me inquieta é saber se realmente este tipo de interação ou troca é de fato amizade. Com advento das novas tecnologias e da facilidade de comunicação mediada pelo computador ficou fácil encontrar num mesmo “local” diversos amigos. Todavia, as trocas e interações entre duas ou mais pessoas são reais, o computador é um mero instrumento. A literatura sobre interação mediada pelas novas tecnologias inicialmente enfocava dialeticamente a questão do virtual X real, algo como um abismo entre estas duas facetas do “mundo ciber”, etc. Porém, há diversos estudos que demonstram que o virtual é uma representação do real e que tais conceitos não são opostos apenas se complementam numa sociedade cada vez mais complexa, fragmentária e objetiva. Em interação com outra pessoa a partir do “ciberespaço” através de programas de mensagens instantâneas como “chats”, “fóruns”, “MSN” o que se tem é uma “conversação” real entre pessoas através de um instrumento: “o computador”. É interessante observar que “dentro de tais programas”, mais do que na presença física os formalismos aparentes são deixados de lado e há a emergência do psicológico com toda a intensidade. As trocas são profundas: confidências, desabafos, o “eu” é amplamente demonstrado. Assim, geralmente as pessoas trocam endereços eletrônicos para mensagens de interação virtual entre aqueles que desejam manter um contato para além do “off-line”, entre aqueles que desejam encontrar também no “on-line”, no “ciberespaço”. Porém, quando os amigos começam a evitar o contato “face-a-face”, o contato real, cabe perguntar se existe ou existiu amizade verdadeira? Que tipo de sentimentos possui uma pessoa que se “utiliza” da outra para confidências e arranjos interativos, mas que dispensa a presença deste “amigo (a)” numa interação real? É a redução do “outro” à máquina, a uma “descarga emocional” ou “sentimental”. É o esquecimento de que a interação não está se dando com o computador por si só e sim através dele, há pessoa do outro lado da tela. Se isso não é considerado, não há uma interação saudável, não existe amizade, vínculo ou qualquer tipo de sentimento. É qualquer coisa, menos isso. Não deixemos nos fazerem de máquinas. Somos humanos, acima de tudo.

Andressa da Costa Farias.
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Publicado no jornal Diário de Santa Maria (www.diariosm.com.br), dia 29/01/2008

http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=9203&template=&start=1§ion=Opini%E3o&source=a1749969.xml&channel=10&id=&titanterior=&content=&menu=&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual=

Um comentário:

Marcelo disse...

Oi Andressa.
Um comentario bem liso ok.
beijos.

Acho que evitar o contato face a face � natural e pr�tico, pode-se dizer ate que � uma quest�o cultural. Pois, afinal j� � natural, pr�tico e cultural estar com o mesmo ali, na tela do computador, e esta mesma praticidade, enaltece a cordialidade nos momentos de discu�o e disc�rdia, pondera quando somos ignorados, e enfim, uma serie de comportamentos "naturais e pr�ticos", que culturalmente s� acontece com a ajuda do computador.
Em v�rios casos, nem conhecemos pessoalmente nossos contatos, nem seus reflexos, atitudes ou express�es. N�o temos a menor ideia se seria bom uma visita, pois como saber? Se nem sempre que chamamos (cito msn) somos atendidos. Chamamos por alguma urg�ncia, que nem sempre seria urg�nte numa intera�o real.
Creio que alguns contatos s�o para serem expandidos sim! Que se deve dar o devido valor ao que mutuamente foi conquistado pelos envolvidos; a cumplicidade, o respeito, o amor, e todo o bom sentimento que possa existir. Mas muitos, funciona de maneira mais natural e pr�tica quando "on-line".

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