quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Papéis Sociais

Mesmo que nem percebemos estamos imersos numa grande cena social. Somos atores da vida real. A sociedade é um grande palco, constitui um imenso teatro que serve de inspiração para as encenações profissionais. Ao interagirmos com outras pessoas estamos encarnando “papéis sociais”. Aqueles mais aptos a representar serão melhor avaliados. Os papéis representados são os mais diversos: somos pais, somos amigos, somos consumidores, somos expectadores, somos profissionais, somos leitores, somos irmãos, somos alunos, enfim. Dependendo do horário e com quem estamos interagindo estamos representando algum papel. Esta é a concepção interacionista das Ciências Sociais, onde sociólogo como Erving Goffman é um dos representantes por centrar suas pesquisas no estudo das interações dos grupos sociais. Acredito que a concepção interacionista vem a contribuir com o entendimento cada vez mais complexo das sociedades modernas. Ao interagirmos face-a-face com as outras pessoas deixamos evocar nossas concepções morais, éticas, religiosas, nossas tolerâncias e intolerâncias, nossas crenças, etc. Somos frutos da sociedade a que estamos inseridos. Quantas vezes mesmo que sem querer julgamos as pessoas e os seus atos? A sociedade ocidental tem um modelo estabelecido de pessoa ideal: a que consegue ter sucesso profissional, boa aparência física, pratica esporte, participa dos mais variados eventos sociais, viaja freqüentemente, etc. Quanto mais se afastamos deste “modelo” mas próximo estamos de sermos em algum momento estigmatizados. Grupos como homossexuais, prostitutas, deficientes físicos, idosos, entre outros são alvos mais fáceis de preconceito quando em interação com os demais sujeitos ditos “normais”. Todavia, os estudos interacionistas como o que E.Goffmann fez apontam que o dito “normal” e o “estigmatizado” são partes de um mesmo todo. Provavelmente em alguma fase da vida toda a pessoa prova o desprezo ou preconceito das demais seja por algum atributo físico, por alguma deficiência ou dependência ou ainda por algum tipo de “desvio” de ordem sexual ou moral. Neste sentido, a grande contribuição das Ciências Sociais com estudos dos grupos ditos “minoritários” na sociedade tem sido evocar o respeito e a maior tolerância das pessoas com as demais. Não é um processo fácil. A diversidade nem sempre é compreendida. Porém, um dos papéis dos cientistas sociais no grande palco da sociedade é este: conscientizar! Andressa da Costa Farias/ Bacharela em Ciências Sociais
** Publicado na Revista Mix do Diário de Santa Maria nos dias 14 e 15 de outubro de 2006. Título: Tolerância nos Papéis Sociais. Texto tema da minha monografia de graduação em Ciências Sociais, recebi orientação da professora Drª Maria Catarina C.Zanini.

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