quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Entre clicks e encontros

Muitas vezes ouvir dizer e também já reproduzi o discurso de que a Internet é uma rede mundial de computadores. Grande engano. Agora me corrijo, a Internet é uma rede mundial de pessoas que são conectadas através dos computadores. Esta é a definição correta. Cada vez mais cresce o uso da Internet para fins diversos: pesquisas, e-mails, bate-papo, publicidade, inscrições em concursos, etc. É impossível ficar alheio a todas as possibilidades que este meio de comunicação oferece. Todavia, gostaria de enfatizar o caráter social da internet. Sim, social. Se não fosse um ambiente de interações sociais não existiriam diversos tipos de comunidades criadas por pessoas com interesses comuns através de sites de relacionamento tipo Orkut e outros. Ah, não me venham dizer que Orkut e comunidades não servem para nada. Servem sim e muito. Eu sou um exemplo real disso. Participei de um evento sobre Educação a Distância na UFF-RJ em 2006 que soube através de uma comunidade sobre Educação e Informática no orkut. E de muitos outros eventos que fico sabendo antes através da Internet. Além disso, já fiz amizade através da internet. Já encontrei “face-a-face” pessoas que antes interagiram comigo através desta rede de relacionamentos. A Carla no RJ é um exemplo. Ver fotos de amigos e parentes que se encontram espalhados pelo país e pelo mundo é outro exemplo. A saudade fica menor e quando encontramos estas pessoas estamos inteiramente a par do que estava acontecendo com elas. A interação fica melhor e os laços sociais e afetivos fortalecidos. Segundo Lévy (1996), no ciberespaço, cada um é potencialmente emissor e receptor num espaço qualitativamente diferenciado, não fixo, disposto pelos participantes, explorável. Aqui, não é principalmente por seu nome, sua posição geográfica ou social que as pessoas se encontram, mas segundo centros de interesses, numa paisagem comum do sentido ou do saber. O principal atrativo da Internet esta justamente ai: encontrar e interagir com indivíduos que possuem interesses comuns aos teus. Esta interação não é fria. Não é com uma máquina, é com pessoas. Muitas vezes “gastamos” horas no MSN (programa de bate-papo em tempo real), por que sabemos que do outro lado da tela existe pessoa (ou pessoas) tão reais quanto nós. Estas interações favorecem o encontro. Dificilmente se interage no MSN por muito tempo com quem não se conhece pessoalmente. Geralmente é com parentes e amigos. Pessoas que você quer encontrar (e encontra logo). Não é uma relação fria. Muito pelo contrário, os inúmeros ícones (carinhas e bonequinhos) e as possibilidades de som e imagem (webcam) tornam ainda mais reais e humanas as interações. Enfim, por estas e outras é possível que se defina a Internet cada vez mais como uma rede com um caráter socializador, que permite os encontros que não são meramente virtuais e sim uma extensão da vida real. Afinal, o computador é só um meio, um instrumento. Este mito de rede de computadores precisa ser esquecido. È uma rede de pessoas, eminentemente social. Serve cada vez mais para o propósito de estudo antropológico.

Andressa da Costa Farias
Texto publicado no jornal local Diàrio de Santa Maria, dia 28/05/2007
http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&edition=7833&template=&start=1&section=Opini%E3o&source=a1514859.xml&channel=10&id=&titanterior=&content=&menu=&themeid=&sectionid

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