domingo, 13 de janeiro de 2008

O que peço de 2008

Geralmente ao finar um ano e iniciar outro as pessoas costumam fazer planos e perspectivas. Faço isso agora nos primeiros dias de janeiro, pois ultimamente minha vida está um pêndulo entre a “Ilha da Magia” e a “Cidade Cultura”. Penso, todavia, que eu queria pedir para 2008 dar melhor percepção as pessoas.
Percebo que a coerção social é imensa na valorização de acumular bens e valores que as pessoas esquecem de viver, pior: de conviver. Notei ultimamente pessoas que em prol de projetos materiais deixaram de conviver alguns instantes de férias com parentes e amigos para “dedicação exclusiva” ao trabalho. Fazem do ‘labor’ um sacrifício de acúmulo e status e não um trabalho para o prazer de viver.
Uma imensa lástima, mesmo. Uma vez eu li uma reportagem de uma pop-star em que dizia que mesmo que encontrasse sua mansão em chamas ou todos os seus bens confiscados ainda assim estaria feliz e tranqüila por que tudo que viu, viveu e viajou ninguém poderia tirar-lhe. As sensações, as emoções e as percepções do mundo que teve estariam para sempre guardadas com ela, na sua memória, nos seus sentimentos.
Acredito que ter segurança material é importante sim, ainda mais num mundo tão competitivo e incerto com relação às pretensões profissionais, todavia, fazer do trabalho e da preocupação em ter a melhor casa, o melhor carro, entre outros bens o sacrifício de deixar “morrer” a convivência com as pessoas que mais nos amam é mesmo muita burrice. Pobreza total de espírito. Os momentos e oportunidades não voltam nunca mais.
É fato que existe muita pressão social. As pessoas são bombardeadas a todo instante com anúncios e mais propagandas e com a associação de felicidade a bens materiais. Isso cria uma ilusão falsa. Sim, porque de repente nos damos conta que o que vale mesmo é justamente o que o dinheiro algum compra. O sorriso, o abraço, a visita de alguém distante, o passear descalço na areia da praia, uma conversa longa com os amigos mais queridos. Sacrificar estes momentos? Burrice.
Então, peço de 2008 melhor percepção as pessoas. Maior consciência crítica, que não sejam massa de manobra e escravos da pressão social e do que o “mercado de consumo” dita como válido para a vida. As maiores riquezas são imateriais: sensações, emoções e aprendizado.


Andressa da Costa Farias

Publicado como artigo no jornal Diário de Santa Maria (RS), dia 16/01/2007

http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&edition=9134&template=&start=1§ion=Opini%E3o&source=a1737378.xml&channel=10&id=&titanterior=&content=&menu=&themeid=§ionid=&suppid=&fromdate=&todate=&modovisual=

4 comentários:

le_gauchinha disse...

Ba prima, esse texto se encaixou com o que acontecerá cmgo...Não irei para a praia pq o Angelo tem um daqueles inadiáveis compromissos no trabalho, triste né...
Sempre penso que as coisas acontecem pq tinham que ser assim e que será melhor assim, mas com ctza entre essas "renúncias" podemos não cumprir vários compromissos, mas o que teremos em recompesa será inesquecível e algo que nenhum dinheiro no mundo pagaria!
Creio que no meu caso existirão mtas outras oportunidades de realizar esta e outras viagens, mas sei que até lá mta coisa pode mudar e não termos aproveitado enquanto podíamos...
Espero que esses desencontros sejam excessões, tanto cmgo qto ctgo, e que momentos únicos e especiais sempre existam em nossos dias!
Bjo prima!

Gabriela disse...

Percebo (e me identifico)nas tuas reflexões o recorrente conflito proporcionado por nossa sociedade de consumo.
Tuas palavras, desta vez, também me remeteram a questão do TEMPO dessa sociedade.
Qual é o TEMPO que vivemos?
Tio Sam determina que "times is money"(!)
Baumann nos alerta que essa sociedade do "times is money" é uma sociedade líquida, onde indivíduos devem fluir...
Relações rápidas, fugazes, mensagens instantânaes, "não temos tempo a perder!"...
A sociedade líquida nos aponta a superficialidade, sem tempo para percepções...
E o mais cruel é o que ela condena aos que nela não podem fluir (sim! nem todos fluem). A uma parcela desses indivíduos: o depósito humano do cárcere! Ou mesmo em "liberdade", a indignidade humana como certa vez viu Manuel Bandaeira:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

É...mas apesar de toda miséria humana, da qual nem a velhinha de Taubaté resistiu, sendo morta por Veríssimo, temos que acreditar na louca de Quintana:

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Um 2008 de uma louca Esperança!!!!

Beijos
Gabi

Graziela disse...

Lindo texto Andressa!!
Nos leva a reflexão, assim como nos faz repensar algumas atitudes cotidianas, que muitas vezes pela correria do dia a dia passam desapercebidas.
grande bj

Ana Carolina disse...

Oie Andressa, na verdade, sei que nao existe "submundos" nos blogs, foi apenas uma brincadeira, um trocadilho com o "submundo do trafico"
Mas, obrigado pelo comentario, vou quando puder entrar aqui...

Beijos.
Ana

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