segunda-feira, 3 de março de 2008

O papel da educação e as várias inteligências

A Escola tem uma diversidade grande de sujeitos inseridos num mesmo contexto de aprendizagem. Refletindo sobre tal perspectiva me pergunto: terá o professor consciência das várias formas de inteligência existentes?
As maneiras de avaliação estão contemplando tais diversidades? Pode a Escola, a Universidade, o professor classificar o aluno como apto ou inapto, reprovado ou incapaz como um rótulo pré-concebido e acabado a partir de alguma habilidade previamente destacada como a única válida para a competência cognitiva do aluno?
Geralmente o que ocorre é isso. Os aprendizes que se adequam a capacidade de reprodução de exercícios prontos, leitura silenciosa, produção (ou reprodução de textos) são melhor avaliados. Muitas vezes o profissional da educação não identifica anseios de criatividade, interatividade e novas formas de aprendizagem do aluno. Não é raro rotular como barulhentos, incapazes de concentração, etc. Aquela premissa “os alunos são uns amores, todos quietinhos fazendo a atividade” que é valorizada “classicamente” na Escola. É esta a escola do século XXI ?
O que se define como um ser inteligente? Inicialmente se considerava o grau de inteligência diretamente proporcional ao tamanho da massa encefálica. Posteriormente, alguns estudiosos vincularam a inteligência a questões hereditárias. No séc.XIX surgiu por Pavlob a Teoria do Condicionamento Clássico onde o meio social ganhou relevância para avaliação da inteligência dos indivíduos. No século XXI surgem os testes de Inteligência ou QI hoje já tão em desuso.
Piaget revolucionou o conceito de inteligência ao perceber que o processo de aprendizagem ocorre de maneira interativa numa relação sujeito-objeto mediada pela ação. Atualmente deve-se considerar a concepção plural de inteligência: a linguística, a lógico-matemática, espacial-cinestésica, corporal, musical, intrapessoal, interpessoal. Acrescentaria também a inteligência tecnológica.
A inteligência lingüística explora a relação áudio-oral a partir do nascimento do sujeito e que posteriormente irá elencar os conhecimentos semânticos, pragmáticos, retóricos e de metalinguagem. A lógico-matemática diferentemente da lingüística tem sua iniciação no universo dos objetos evidenciando fatores que levam a percepção de padrões e produção de raciocínio que envolvam habilidades numéricas.
A cinestésica corporal é a capacidade da pessoa conseguir se expressar de diversas maneiras utilizando o próprio corpo. A musical caracteriza-se pela capacidade de perceber sons naturais, melodia, ritmo, timbre, freqüência, etc. A inteligência intrapessoal leva em conta a capacidade de auto-estima e de identidade de si mesmo. A inteligência interpessoal é a capacidade de perceber distinções de comportamento nos outros. As intenções, os estados de ânimos, os temperamentos, etc.
A tecnológica, acrescentada por mim, seria a capacidade de manipulação dos diversos equipamentos tecnológicos com rapidez, eficiência e coerência. Sejam computadores, celulares, câmeras digitais, etc. Para os mais diversos fins: produção acadêmica, divulgação de fotos, compartilhamento de impressões de mundo através da postagem em página da Internet, etc.
Logo, a Escola deve ser um lugar onde ofereça espaços para o desenvolvimento das várias formas de inteligência, não somente a lingüística, por-exemplo ou a lógico-matemática e sim a corporal, a musical, a intrapessoal entre tantas outras. Um espaço de ampliação de possibilidades e não de desejos frustrados pela nota ou rótulo de algum professor. A avaliação não deve ser única e sim cada vez mais plural e que ofereça condições de demonstração de diferentes habilidades.
Deste modo os sujeitos conseguirão descobrir e demonstrar potencialidades e talentos muitas vezes escondidos. O professor deve estar aberto a tais dinâmicas a fim de incentivar o sucesso e a harmonia do processo ensino-aprendizado que é mesmo cada vez mais complexo. Afinal, a sociedade é uma teia coesa mas infinitamente diversificada e cheia de diferenciações profissionais, sociais e pessoais.

Andressa da Costa Farias
Cientista Social
professora de Português em Florianópolis-SC

Bibliografia de apoio:
Lúcia Salete Celich Dani et al. As várias formas de inteligência. Ed. Pallotti. Santa Maria-RS:1999.

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