quinta-feira, 30 de maio de 2013

A maluquice da LEITURA

O Brasil (infelizmente!) tem um dos piores índices de alfabetização plena. Há publicações recentes e recorrentes de que o analfabetismo funcional atinge uma parcela considerável da população. Creio que há circunstâncias e situações que podem impulsionar um leitor e outras que podem afastá-lo para sempre do mundo letrado, sem antes ter experimentado o prazer da leitura. Ziraldo dedicou uma obra inteira intitulada “Uma professora muito maluquinha” baseada numa experiência real de vida que conta que uma professora especial fez dele um leitor voraz ao propiciar momentos prazerosos de leitura nas aulas. E ele passou de aluno, a leitor e escritor reconhecido mundialmente. Já li de outro escritor renomado que não gostava que suas obras virassem “títulos” para o vestibular, pois acreditava que a leitura deve ser sempre um ato de prazer e não uma obrigação com data determinada para acontecer. A leitura já deve ser estimulada no âmbito familiar. Infelizmente, nem sempre isso ocorre. Porém, há um lugar em que a leitura deve ser uma constante. E a empolgação para o ato também. Este lugar é a escola. Ali a leitura deve ser regra e porque não matéria de aula? De todas as matérias, disciplinas e conhecimentos. Não só em Língua Portuguesa. Já li de Sírio Possenti que a Escola deveria ser um grande espaço promotor de leitura. Tenho como postura docente dedicar sempre uma aula ou minutos dela para a prática da leitura. Não de qualquer leitura. Preferencialmente da leitura que dá prazer. É preciso explorar esta leitura para que outras sejam habituais. Nestes momentos costumo levar meus alunos na biblioteca e pedir para que escolham aleatoriamente o material a ser lido. De maneira livre! Algumas pessoas nem sempre entendem esta postura. Como assim? Deixar os alunos livres numa biblioteca? Deixar que escolham o que vão ler ? E geralmente procuram me dar conselhos ou me avisar de que alguns alunos estão lendo livros “inadequados” à idade deles, livros infantis, revistas, livros Best-seller e não clássicos, etc. Há uma infinidade de “preocupações”. A minha é de que os alunos leiam. E que gostem do que leiam. Não importa se o livro tem poucas páginas, muitas figuras, se é uma revista ou um dicionário. Afinal, é a quantidade de páginas que edifica a qualidade de um livro? Creio que não. Se fosse assim não estaríamos vivendo uma realidade de publicações cibernéticas que exploram muito a imagem, o texto visual e multimodal. Estes instantes fazem de mim uma pessoa esperançosa de dias melhores em relação à realidade leitora do meu país. Talvez esteja “fazendo trabalho de formiguinha”, talvez ainda seja muitas vezes incompreendida. Porém, tenho certeza que este é o caminho certo. Acredito que um leitor empolgado e apaixonado irá sempre influenciar outros leitores. Quem sabe destes instantes venham a surgir futuramente outros “Ziraldos”. Afinal, maluquice é não ser capaz de ler ! Andressa da Costa Farias

4 comentários:

Jurema disse...

Andressa, parabéns pela "provocação" leitora! Nunca precisamos tanto resgatar o hábito da leitura e da escrita como hoje.

Andressa CF disse...

Que bem ! A provocação, às vezes, exige coragem. Um abraço,
Andressa.

Ana Cláudia Souza disse...

Andressa! Provocar a leitura, criar espaços para fruição, deixar ler, manusear e escolher os materiais a serem lidos... tudo isso é fundamental à formação de leitores! Legal a iniciativa! Grande abraço, Ana Cláudia

Andressa CF disse...

Que honra teu comentário, querida e magnífica orientadora ! Doutora no assunto. Muito obrigada. QUERO continuar semeando o prazer da leitura por onde passar.
Beijo enorme.

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