sexta-feira, 25 de junho de 2010

Angélica, a indiazinha...

Hoje conheci Angelica, indiazinha de 06 anos. Nosso encontro não estava marcado, nem eu e nem ela sabíamos que nos conheceríamos. Foi por acaso. Impulsionado pela vontade de praticar a solidariedade. A tarde ensolarada de inverno fez com que eu separasse algumas roupas da minha filha de 07 anos para doar. Dois blusões, casaquinho, "legg", calça jeans, moleton. Eu sei que é mais fácil simplesmente juntar tudo e levar em postos de arrecadação de agasalhos. Porém, hoje decidi que queria favorecer alguém pessoalmente. Sem intermediários. Queria ver o rostinho feliz de uma criança por ganhar estas "roupinhas".
Assim encontrei Angélica. Rostinho tímido, sentada na calçada de uma das ruas do centro de Florianópolis, ao seu redor várias cestinhas para vender. Sozinha. Vestia uma bermudinha abaixo do joelho e uma camiseta, chinelo Havaina. Aproximei-me e perguntei do artesanato. Sua voz suava rouca e baixa, quase não entendia. Pedi por sua mãe e respondeu que havia saído para ir ao banheiro. Mostrei as roupas e ela se interessou. Depois de repassar à menina, pedi um beijo. Fui me afastando e vendo seu rosto feliz, cheio de agradecimento. Muitos passavam e olhavam curiosos aquele meu gesto.
Continuei a fazer as "voltas" que tinha no centro. Conserto de relógio. Compra de um novo chipe de celular e ia pensando na História do Brasil. Muito dos índios que hoje miseravelmente estão nos centros urbanos viviam livres e auto-suficientes no meio natural. De repente tudo mudou a partir de 1500.Europeus portugueses dominaram o território, massacraram, dizimaram muitos indígenas. Todavia o povo brasileiro é uma "mistura" deste europeu, índio e do negro. Nossa cultura se formou a partir da contribuição destas etnias.
O ideal seria que a harmonia da vida indígena não fosse alterada. Mas ideal é uma suposição científica, segundo já defendia o sociólogo Weber. Na prática o ideal serve apenas como parâmetro de comparação.
Antes de voltar, passei novamente pela rua em que Angélica estava. Olhei de longe. Já havia colocado os agasalhos, pude perceber quem era sua mãe. Fiquei com desejo oculto de "contar" este gesto, desejo de que todos que passaram curiosos repetissem atos de solidariedade. Desejo de um mundo melhor que só se faz se cada um fizer um bem ao outro. Qualquer que seja.
Segue na minha mente a satistação do sorriso de Angélica. Índia. Brasileira como eu.

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